terça-feira, 24 de maio de 2011

A espera de um sinal

Sentado descontente neste vão
Vendo as ondas chegarem a mim
Dissolvendo em meus pés

Busco a ilusão de uma vida diferente
Não é a toa que encaro a solidão

Se fosse poeta buscaria escrever o que sinto
Em busca de alguém a me compreender

Os prantos não me permitem maiores lástimas
Um dia chegará o dilúvio final

E aquela onda agora se transforma em juízo final
Deveria encará-la com nostalgia
Algo me entoa no âmago da alma
E luto por não ser levado

Natal/RN, 11 de maio de 2011.

João Leão

Eu?

Queria quebrar a barreira do som
forçar o vento a retroceder
ir além do que esta força me leva

não sou ninguém
alguém no meu subconsciente me controla
já não levo a sorte como esmola
vivo a seguir por outro caminho

mas, afinal, quem eu sou?
quem é meu senhor?

sigo tentando descobrir
alguma forma de me libertar
ainda não será desta vez
e vivo sem esperar

Natal/RN, 22 de maio de 2011

João Leão

Uma dose de devaneio

Tenho pensamentos regados por fantasias
Não são as mesmas de outrora
Têm mais temor e mais incerteza
São turvas, acinzentadas, nebulosas

Atormenta-me ao dormir
Sonhar com o inconcebível no plano físico
Fuga da imensa loucura que corrói a sensatez

Já fui super-homem superando o insuperável
O pateta desordeiro que brinca na sociedade
Que não entende de normas, nem tão pouco etiquetas
Um estrangeiro em lugar nenhum

Quando me dou por conta
Estou de volta a esta realidade
E vejo o quão limitado somos

Natal/RN, 9 de maio de 2011

João Leão

IDÉIAS ALÉM DAS ARMAS?

Como postagem inicial, postarei algo relacionado com o título do blog. Por que usar a expressão "IDÉIAS ALÉM DAS ARMAS"? Idéias são a locomotiva de nossas ações, a idéia por si só não causa dano, nem destrói, já as armas são instrumentos, empregadas para impor a força, o que causa danos e destruição. E ainda, ambas podem unir-se, é o caso do emprego da arma como consequencia da defesa da idéia, ou se conflitarem, o emprego da arma para destruir a idéia, destarte a arma é mero agente passivo, consequencial, a idéia, por outro lado, é ativa, flui para domar as ações de indivíduos e grupos.

Atualmente, no mundo, temos ideologias diversas espalhadas em determinadas regiões, que entram em conflito constantemente. É o caso da dicotomia clássica de ocidente versus oriente, cristianismo versus islâmismo, causando acirramento de tal forma que usam-se armas como forma de impor uma ideologia como dominante, hegemônica.

Hegemonia é uma expressão empregada para designar um império que exerce influência sobre todos os demais, nas áreas econômica, social, educacional e, principalmente, cultural. Como forma de dominação os impérios costumeiramente fazem uso das armas para impor suas idéias e, consequentemente, a dominação.

Entratanto, o uso da força por si só não é capaz de abalar uma idéia fortemente enraizada, é como combater algo que não se renderá. Assim, o emprego das idéias sempre prevalecerá sobre o emprego das armas, ainda que esta venha causar enorme dano. É o que ocorre atualmente no Oriente Médio, embora tentem acabar com os governos fundamentalistas de toda forma, impondo-se uma série de campanhas militares, a ideologia islâmica predomina e tende cada vez a crescer em escala mundial.

Não é difícil compreender que a morte de um dos líderes da Al Qaeda, Osama Bin Landen, não será eficaz no combate aos fundamentalistas islâmicos, pois, por mais radicais que sejam, sua ideologia continua a se expandir mediante uma teia de organizações e grupos conflitantes que se unem quando o assunto é o combate ao "ocidente", leia-se, Estados Unidos da América. Não quero com isso tomar partido em favor de qualquer grupo, Estado ou lado ideológico, mas chegar a verdadeira sentença que sustentou o título deste bloco: as idéias sempre terão mais importância que as armas, o uso das armas dificilmente servirá para derrotar idéias encrustadas em povos diversos, que perduram por longo tempo.