quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Choque de Civilizações

No dia 22 de Julho de 2011 uma tragédia assolou o mundo, especialmente, por ter advindo de um país com baixo índice de criminalidade, a Noruega. Trata-se do atentado terrorista de um ativista político de extrema-direita, o Senhor Anders Behring Breivik, que culminou com a morte de pessoas ligadas ao Partidos dos Trabalhadores local, de orientação progressista, centro-esquerda. Diante de tamanha barbárie, cometida por um compatriota (frise-se) resta a indagação: até onde pode chegar o preconceito racial, cultural, sexual, sejá lá como se denomine?
Renasce com vigor o conflito já previsto pelo cientista político Samuel Huntington, em sua célebre obra "Choque de Civilizações", que prever os conflitos etnicos-culturais como a principal causa de futuras guerras no cenário pós-guerra fria. O que é de se esperar num mundo concebido por diversos estados-nação, que vez por outra disperta sentimentos nacionalistas exarcebados, especialmente, em épocas de crise, como a que ocorre neste atual momento, crise econômica desencandeada em 2008 pela alta alavancagem do sistema financeiro, fruto de excessiva especulação.
Vale lembrar, por oportuno, que os Partidos Políticos Nazi-fascistas pré-Segunda Guerra Mundial surgiram no contexto do "crash" de 1929 (o fascismo italiano de Mussolini um pouco antes, mas encaixado no mesmo contexto), e pensar que este tipo de Partido está descartado nos dias atuais é tampar o sol com a peneira. Para se ter uma ideia, os Partidos de extrema-direita estão com alto índice de aceitação dentre o eleitorado nos países desenvolvidos, possuidores de uma sociedade altamente nacionalista, como é o caso dos EUA, França, Alemanha, dentre outros - o Tea Party norte-americano fez Obama ceder a vários pleitos na negociação do aumento do teto da dívida norte-americana.
Assim, não fiquem surpresos se a próxima guerra mundial for iniciada por motivos culturais, basta se agravar o quadro de conflito que existe em alguns países ultra-nacionalistas, com intolerância ao multiculturalismo, desde que estes choques ocorram entre culturas, não mais estados-nação como nas duas guerras mundiais, com condições beligerantes suficientes para desencadear um conflito mundial em cadeia. Resta aguardar o desenrolar da história, mas, desde já, ganha um doce quem adivinhar qual será o estopim da possível guerra.