Ainda lembro como se fosse hoje. O ano era 2002, grande
oportunidade do PT aproveitar-se do parco crescimento econômico do país para
impor seu projeto político. Nascido no berço da igreja católica em conjunto com
sindicatos e demais esferas trabalhistas, além de simpatizantes com a causa
operária, o partido surgia como a salvação dos menos abastados.
Passaram-se quase 10 anos desde então, e o partido da causa
trabalhista ainda se mantém no poder. Parece crescer cada vez mais a custa de
alianças diversas, não importando qual direção tenha o grupo político - direita,
esquerda, centro, diagonal, cabeça para baixo.
Com isso em mente, resta indagar-se qual projeto político
existe para o desenvolvimento da nação? Como este grupo que está no poder projeta
o Brasil para daqui a 10, 20, ou até 50 anos? Para eles, na verdade, é mais
fácil pensar a cada 4 anos, quando há eleições. Não fazes nenhum grande esforço
mental, caro leitor, ao perceber que só há um único projeto em voga: manter-se
eternamente no poder. Já dizia o chanceler Otto von Bismarck: "Aqueles que
gostam das leis e das linguiças jamais devem assistir ao seu processo de
fabricação". E eu vou além: os que assistem à mídia por um bom discurso político não gostariam de saber como se dar o processo intrínseco.
O populismo clássico, aquele de tempo atrás, lá na ditadura
de Vargas, parece ser a melhor forma de governar um país, pois se não fosse,
não haveria tanta popularidade no Lulismo. Enquanto há programas governamentais
do tipo esmolas para todos, esconde-se uma mazela que se propaga no país há
gerações. Refiro-me ao povo alienado, sem educação, às margens da sociedade,
que para não morrer de fome aguarda mais uma esmola dos céus.
O problema estrutural persiste, e para entendê-lo melhor
valho-me de um jargão popular - melhor ensinar a pescar que dar um peixe. Neste contexto,
dar peixe se refere ao assistencialismo do governo, enquanto ensinar a pescar, a
suprir o país com educação de qualidade, principalmente nos níveis mais básicos.
A educação, por posicionar os mais carentes no mercado, é a chave para eliminar
a pobreza. O que beneficia a todos, pois a maior qualificação aumenta a
produtividade do país, gerando maior crescimento econômico.
Ainda, na educação, deve-se pautar pela formação de cidadãos
capazes de observar a sociedade de forma crítica e reestruturar a governança no
país. Para isso, informação não basta, necessita-se, antes de tudo, de formação.
Disciplinas humanas como sociologia, filosofia, história, geografia, noções
cívicas, devem ser lecionadas desde cedo, já no ensino fundamental. Só assim
haverá verdadeira democracia, com a participação mais ativa da sociedade na
formação do governo.
Se não houver, independente de qual grupo político esteja no
poder, uma restruturação do país para arrancar de vez o germe da escravidão,
seremos sempre um estamento social, em que a grande massa de alienados será manobrada
como gado marcado.