Que o mundo está mais burro, eu diria - logo o coitado do burro, que nada
tem com isso. Em um mundo cada vez mais interconectado, com tecnologias que não
nos falta - mas também não nos completa - que tempo nos sobra? Nenhum,
absolutamente nenhum!
Ora, se nosso destino é construir máquinas e manipula-las, o ser humano não
é mais útil. Vamos ovacionar a rebelião das máquinas, que em tempo vindouro
livrar-se-á da praga imprestável.
Se o apego à matéria nos dá o norte, de nada nos serve a arte, ter
sentimento, rir ou chorar. Enclausurados nesta armadilha, em busca de ser
moderno, perdemos a essência do existir.
A ciência parece ter usurpado o dom sagrado da natureza a que, outrora, nos conectávamos.
Agora, só nos resta conectar a bits e
bytes. Nem ao menos se sobra tempo
para ir ao zoológico, dar pipoca aos macacos.
Impressionante, como as pequenas coisas da vida nos passa ao largo, um
sorriso, a piada sem graça, o tremular das palhas do coqueiro, o canto do sabiá,
nada disso tem mais valor que um pedaço de papel impresso no Banco Central. A
menos que estejamos no fim da vida. Neste momento, um raio sobrenatural nos
elucida, pergunte a um paciente que sofre de câncer terminal.
Ver a hora, ouvir o tic-tac
ritmado, nada causa mais angústia. De súbito, vejo que horas são agora. Poderia,
caro leitor, continuar a escrever por mais algumas laudas, mas não posso. Não há
tempo. Preciso ir trabalhar.